Está fechado o programa para a 6ª edição do MEXE – Encontro Internacional de Arte e Comunidade. O Encontro propõe-se a criar novos espaços de discussão para as preocupações e desafios que marcam as nossas comunidades. Um cartaz onde a arte dialoga com a tecnologia e o pensamento científico, perspetivando as comunidades para além do humano, aprofundando outras relações possíveis com a natureza e procurando construir espaço de afirmação para “invisibilidades” que refletem desigualdades sociais, agravadas pela pandemia. Espetáculos, conversas, oficinas, laboratórios de criação, instalações e cinema compõem o ciclo de atividades onde as realidades sociais falam por si. 

Em destaque, a conferência de Neil Harbisson, a primeira pessoa a ser reconhecida por um governo como um cyborg e cujo trabalho tem sido apontado como um dos mais controversos atos performativos dos nossos tempos. A conversa de abertura do MEXE permitirá conhecer o pensamento do presidente da Cyborg Foundation, que apoia pessoas a serem reconhecidas como cyborgs, defendendo os seus direitos. 

Diretamente do Chile, chega outra das grandes apostas deste ano, Paisajes para no colorear, uma peça que se constrói a partir de relatos de atos de violência cometidos contra adolescentes do sexo feminino na América Latina. O espetáculo dá corpo a histórias que partilham a vulnerabilidade do que é ser mulher, menor de idade, nestas geografias, colocando a tónica no feminino. Para além das apresentações no Porto e em Viseu, a companhia La Re-sentida orientará uma oficina de descoberta performativa destinada a jovens portuguesas. 

Apostando na diluição de fronteiras entre diferentes formas de saber e fazer, o MEXE 2021 propõe ainda um projeto instalativo que mobiliza biologia e tecnologia para revelar imagens e sons da vida vegetal em crescimento para além da visão e audição humanas. Unearthing Queer Ecologies da americana Amy Reid questiona a forma dualista com que os humanos percecionam a natureza documentando de forma sonora e visual o crescimento da lavanda, amores-perfeitos e cogumelos; plantas que são consideradas culturalmente “queer”, considerando o seu ADN.

No âmbito nacional do programa, nota para Classe de Jaime, um trabalho em torno das danças tradicionais da Serra D’Aire e Candeeiros, onde uma bailarina e um músico vão ao encontro de vários grupos folclóricos que têm vindo a preservar o repertório das tradições de baile. Exercício fundamental de memória, este espectáculo convoca para a composição temas como o género, o erotismo e o peso. Destaque ainda para Manifestações do Teatro do Frio, um projeto assente no desenvolvimento de um conjunto de ações com moradores do Porto em torno da ocupação e redefinição do espaço público enquanto lugar de encontro, oratória e meio primordial para a construção dinâmica de identidades. 

Num tempo de exceção, o MEXE 2021 integrará ainda iniciativas online. A par da já anunciada manifestação cibernética (Máquina de Ruído), o evento convoca a oficina Herbanário Anticolonial, onde as plantas servem como ponto de ignição para um diálogo com a História colonial Portugal-Brasil. Complementando o trabalho de apresentação e performance, o MEXE 2021 apresentará ainda uma mostra de cinema que integrará seis filmes sobre organizações e projetos cujo trabalho se centra nas práticas artísticas participativas e comunitárias. Na dimensão pensamento, outro dos eixos programáticos do festival, será apresentado o livro Práticas Artísticas Comunitárias, Participação e Política, de Hugo Cruz, e será promovida, em paralelo, a quarta edição do EIRPAC – Encontro Internacional de Reflexão sobre Práticas Artísticas Comunitárias, que convoca oito instituições de ensino superior a refletirem sobre O Risco no Contemporâneo.

Anunciados estavam já os projectos azevedo, Máquina de Ruído, Altamira 2042, Sabor Visceral do Futuro, Laboratório dos Riscos Impossíveis e a atuação da rapper Mynda Guevara. Toda a programação e detalhes em aqui.

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